
Aquele rapaz não sabe muito o que quer da vida. Não tem pai rico. Talvez tivesse uma bolsa que garantise sua permanência na faculdade de forma mais tranquila, apenas dedicando-se ao estudo. Mas, como bem inserido na realidade da maioria de nossos jovens, ou trabalha, ou paga o pato. Foi trabalhar pra garantir o sonho seu e de sua família, de ter um curso superior, e pensar em ser alguém na vida. Veste a camisa, a gola aberta, o óculos que ganhou de presente da tia, aquele sapato que não vê a hora de tirar quando chegar em casa depois da aula. Calor infernal em São Bernardo.
Garoto boa pinta. Mulher nunca foi algo do qual ele sentia falta: sempre teve uma para sí. Mesmo que não fosse o mais admirador dos "compromissos". Primeiro beijo aos catorze anos, quando ainda era um adolescentezinho meio tímido, mas em vias de libertar-se da própria inocência. Ou só apenas aparentava ser inocente. Não demorou muito pra ter sua primeira transa. Não achava aquela loira das mais bonitas, mas como já estava meio bêbado depois de umas rodadas de skol, não se importou com o que os outros pensariam. Capaz até de ter ganhado uns elogios como "cara, você realmente tem coragem". Se importaria mesmo se descobrissem que ele não havia topado.
A responsabilidade que demonstrava no trabalho não parecia ser igual a que demonstrava com as garotas. Da mesma forma que tratava uma caneta, desfrutava de uma mulher. Muitas passaram pela sua mão. Seu desejo, quando se enfiava nos pagodes e nas festas com os amigos, no meio das batidas do funk, era de se deliciar com o suor, as roupas curtas, as mãos, os tapas, as drogas, os choques e os gemidos do fim de noite na cama. Era mediante a reificação da garota que ele alcançava seu extase. De fato, ele nunca gostou de compromissos. Também preferia as descompromissadas, que não exitariam em realizar o seu desejo por qualquer temor que lhe viesse à cabeça.
É costume que se atribua questões de libertinagem sexual ao campo diabólico. Se é assim, este cara havia flertado há muito tempo o seu próprio pacto infernal. Somava-se aos entusiastas mais baconianos. Uma mudança por essência.
Por aparência, não. Porque, afinal, era homem trabalhador, que tinha um sonho, que dava orgulho à sua família, que procurava sustentar suas próprias mensalidades da faculdade.
E se pagava, tinha que estudar. Todo dia estava lá, risonho, conversador, e confessando as suas diabruras aos amigos mais chegados. Talvez até ganhasse alguns pontos com outras garotas se falasse de suas histórias, mas não valia a pena. Todo mundo faz, mas ninguem quer revelar.
Quem sabe por conta deste segredo, desta máscara que sustentava com pleno ar de naturalidade, é que o mesmo se sentiu na liberdade de se juntar àquele aglomerado de moleques universitários que, alçando a eles mesmos os ares da autoridade moral, irromperam e pararam às bordas das passarelas e das escadarias para assoviar, chamar, gritar, xingar, aquela moça loira que estava alí, em aula, com um vestido rosa, de mini-saia. Olhos grandes, sorriso sarcástico, e um berro:
PUTA! PUTA! PUTA! PUTA! PUTA!
Havia selado, alí, seu pacto definitivo com o inferno.
-------------------------------------------
Ps: Justificando o machismo, o preconceito e a hipocrisia, a Uniban publicou, na data de hoje, 08 de novembro de 2009, nota em que informa o desligamento de Geisy Villa Nova Arruda do quadro discente da universidade, fazendo menção insignificante aos alunos que participaram desta cretina palhaçada e ainda criticando a forma como a mídia abordou o episódio.
Garoto boa pinta. Mulher nunca foi algo do qual ele sentia falta: sempre teve uma para sí. Mesmo que não fosse o mais admirador dos "compromissos". Primeiro beijo aos catorze anos, quando ainda era um adolescentezinho meio tímido, mas em vias de libertar-se da própria inocência. Ou só apenas aparentava ser inocente. Não demorou muito pra ter sua primeira transa. Não achava aquela loira das mais bonitas, mas como já estava meio bêbado depois de umas rodadas de skol, não se importou com o que os outros pensariam. Capaz até de ter ganhado uns elogios como "cara, você realmente tem coragem". Se importaria mesmo se descobrissem que ele não havia topado.
A responsabilidade que demonstrava no trabalho não parecia ser igual a que demonstrava com as garotas. Da mesma forma que tratava uma caneta, desfrutava de uma mulher. Muitas passaram pela sua mão. Seu desejo, quando se enfiava nos pagodes e nas festas com os amigos, no meio das batidas do funk, era de se deliciar com o suor, as roupas curtas, as mãos, os tapas, as drogas, os choques e os gemidos do fim de noite na cama. Era mediante a reificação da garota que ele alcançava seu extase. De fato, ele nunca gostou de compromissos. Também preferia as descompromissadas, que não exitariam em realizar o seu desejo por qualquer temor que lhe viesse à cabeça.
É costume que se atribua questões de libertinagem sexual ao campo diabólico. Se é assim, este cara havia flertado há muito tempo o seu próprio pacto infernal. Somava-se aos entusiastas mais baconianos. Uma mudança por essência.
Por aparência, não. Porque, afinal, era homem trabalhador, que tinha um sonho, que dava orgulho à sua família, que procurava sustentar suas próprias mensalidades da faculdade.
E se pagava, tinha que estudar. Todo dia estava lá, risonho, conversador, e confessando as suas diabruras aos amigos mais chegados. Talvez até ganhasse alguns pontos com outras garotas se falasse de suas histórias, mas não valia a pena. Todo mundo faz, mas ninguem quer revelar.
Quem sabe por conta deste segredo, desta máscara que sustentava com pleno ar de naturalidade, é que o mesmo se sentiu na liberdade de se juntar àquele aglomerado de moleques universitários que, alçando a eles mesmos os ares da autoridade moral, irromperam e pararam às bordas das passarelas e das escadarias para assoviar, chamar, gritar, xingar, aquela moça loira que estava alí, em aula, com um vestido rosa, de mini-saia. Olhos grandes, sorriso sarcástico, e um berro:
PUTA! PUTA! PUTA! PUTA! PUTA!
Havia selado, alí, seu pacto definitivo com o inferno.
-------------------------------------------
Ps: Justificando o machismo, o preconceito e a hipocrisia, a Uniban publicou, na data de hoje, 08 de novembro de 2009, nota em que informa o desligamento de Geisy Villa Nova Arruda do quadro discente da universidade, fazendo menção insignificante aos alunos que participaram desta cretina palhaçada e ainda criticando a forma como a mídia abordou o episódio.
A nota segue no link: http://blogs.r7.com/querido-leitor/files/2009/11/UNIBANanuncio2.JPG
-------------------------------------------
Ps2: A Uniban revogou a decisão de expulsar a aluna, conforme nota publica na ultima segunda-feira, 09 de novembro. No link encontra-se a notícia:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u649827.shtml
Ps3: No protesto que houve ontem, 09 de novembro (já programado antes da divulgaão da nota da Uniban revogando sua decisão do fim de semana) haviam estudantes dentro do campus que vaiaram a manifestação contra a decisão sexista e falso-moralista da universidade. Isto é atitude ou complacência?
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u649934.shtml
-------------------------------------------
Ps2: A Uniban revogou a decisão de expulsar a aluna, conforme nota publica na ultima segunda-feira, 09 de novembro. No link encontra-se a notícia:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u649827.shtml
Ps3: No protesto que houve ontem, 09 de novembro (já programado antes da divulgaão da nota da Uniban revogando sua decisão do fim de semana) haviam estudantes dentro do campus que vaiaram a manifestação contra a decisão sexista e falso-moralista da universidade. Isto é atitude ou complacência?
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u649934.shtml


